Um passo mais próximo da preservação dos corais

May 18, 2019

 

A ideia que nós geralmente temos dos corais é que são seres coloridos, que deixam os mares ainda mais belos, criando formações rochosas e atraindo outros seres marinhos.

 

 

Fotos de horizontes de cores vibrantes sempre atraem nossa atenção. Prova disso é o rendimento exorbitante da Austrália com o turismo para Grande Barreira de Corais, maior recife do mundo. O que talvez não seja tão comentado é a perda gigantesca da diversidade e da quantidade desses indivíduos. O branqueamento e a morte dos corais estão diretamente relacionados às ações antrópicas. A acidificação dos oceanos, em decorrência do aumento do nível de gás carbônico na atmosfera, junto à elevação da temperatura e à exposição ao sol, são fatores responsáveis pela ocorrência do fenômeno.

 

Os corais branqueiam quando os pólipos, animais fixos no solo que constituem os recifes, expulsam as algas que realizam fotossíntese e que formam colônias com eles. Essas algas fornecem os nutrientes necessários para seus hospedeiros em troca de abrigo. Sendo assim, sua perda leva à eventual morte dos pólipos, motivo de preocupação global. Apesar disso, algumas colônias são mais sensíveis ao calor do que outras, ou seja, ainda existe uma perspectiva de sobrevivência de recifes mais resistentes, e é isso que dois cientistas de Stanford pesquisam. Megan Morikawa e Stephen Palumbi sugerem que uma saída para a preservação do complexo ecossistema dos recifes de corais seja o transplante de espécies resistentes ao calor para zonas já degradadas, visando dispersar esses indivíduos.

 

A pesquisa começou na coleta de amostras de uma lagoa na Samoa Americana, na Polinésia. Essa escolha foi feita devido a baixa circulação de água e, logo, aos picos de temperatura, uma vez que é um meio limitado e raso. Esperava-se, então, que as espécies analisadas se adaptassem bem às altas temperaturas, o que foi comprovado em laboratório. Em seguida, um grupo próximo à lagoa, mas que sofria uma variação de temperatura muito menor, foi estudado. A ideia era realocar ambos os tipos de corais para um estudo isolado mais longo, mas as altas temperaturas repercutiram no branqueamento de grandes extensões do recife. Apesar disso, nesse estudo de oito meses, Dra. Morikawa e Dr. Palumbi concluíram que os indivíduos da lagoa tinham cerca de metade da chance de sofrerem danos em relação ao grupo menos resistente, além de que o crescimento e a reprodução dos indivíduos não afetaram a tolerância ao calor.

 

Embora o estudo tenha sido curto, o que foi concluído é animador. A ideia de recuperar um sistema que abriga uma biodiversidade marinha imensa - são mais de 5.000 espécies de peixes e 10.000 de moluscos que dependem dos corais -  e que regula a vida nos oceanos se torna mais palpável. Os pesquisadores agora planejam um estudo sobre esse tópico em Palau, pequeno país da Micronésia. Os resultados, até agora, criam uma esperança para recuperação dos recifes, mas não podemos ignorar as nossas ações envolvidas na destruição da vida marinha. A contaminação das águas, a pesca, a atividade industrial e muitas outras atitudes não podem ser deixadas de lado. Dessa forma, caminhamos para o desenvolvimento da ciência e para a sustentabilidade.

 

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