• Thiago Campos Carlos

O impacto de equipamentos acústicos no oceano

O uso de equipamentos acústicos se tornou algo muito comum em nosso dia a dia com a evolução da tecnologia, contudo esses equipamentos causam o que chamamos de poluição sonora e esse tipo de poluição vem chamando bastante a atenção nos últimos anos. Além dos efeitos causados aos seres humanos os efeitos desses problemas afetam também a fauna, causando diversas consequências em todos os ecossistemas, contudo os animais mais prejudicados são os marinhos, no mar o som se propaga a uma velocidade muito maior, o que aumenta os níveis da poluição sonora nesse ambiente e com isso suas consequências.

Imagem de Ria Sopala por Pixabay

A poluição sonora nos oceanos passou a chamar a atenção dos cientistas nos últimos anos, quando paramos para pensar no oceano, fazemos algum tipo de mergulho ou até assistimos um documentário pela televisão temos a impressão de que o oceano é um lugar calmo e silencioso, contudo isso não é verdade, vários tipos de sons são emitidos no oceano, seja na crepitação de corais ou os sons emitidos por baleias e golfinhos, entretanto todos esses sons são naturais e importantes para a manutenção da vida naquele local, o grande problema que chamou a atenção desses cientistas é o aumento considerável da poluição sonora nos últimos tempos chegando a ser cerca de 10 vezes mais que em meados do século XX. Esse aumento considerável está ligado a chegada das grandes tecnologias e o uso constante de equipamentos acústicos para se fazer estudos, um deles é chamado de batimetria que utiliza uma fonte emissora de sinais acústicos chamado ecobatimetro para realizar a medida do contorno, da dimensão e da posição relativa da superfície submersa dos mares, rios, lagos, represas e canais. Dependendo do nível de som que for emitido para a realização dessas analises os animais daquela região começaram a ser afetados de acordo com sua exposição, isso coloca em risco sua comunicação, submente o animal a estresse a longo prazo, e traz problemas psicológicos e reprodutivos.

Ilustração, Callie Wohlgemuth ’21.

Um grande grupo de animais prejudicados com essa poluição sonora são os cetáceos (baleias e golfinhos), algumas espécies de animais desse grupo utilizam um sistema chamado de ecolocalização, que nada mais é do que um sistema de emissão de som e recepção acústica dos ecos produzidos, esse sistema permite que esses animais interpretem objetos e formas solidas, inclusive outros seres vivos ao redor de seu campo sonoro, contudo se o ambiente estiver com muitos ruídos eles não conseguem interpretar de forma clara o som, trazendo diversas dificuldades para esses animais, como se orientar, encontrar indivíduos do seu grupo( o que traz problemas reprodutivos), localizar o limite costeiro e até mesmo sentir as mudanças na água.

Fonte: Adaptado de Achat1999/Wikipedia (CC-BY-SA-4.0)

Para tentar controlar os efeitos dessas embarcações e/ou equipamentos acústicos estão sendo adotas medidas que buscam minimizar esses efeitos, essas medidas asseguram o uso correto dos equipamentos e geram as permissões para uso dos mesmo de forma legal. No Brasil para se fazer um levantamento hidrográfico através de equipamentos acústicos como por exemplo o ecobatimetro é necessário um conhecimento sobre a NORMAN-25. Para uma empresa privada realizar um levantamento hidrográfico é necessário a realização de um cadastramento junto ao Centro de Hidrografia da Marinha. Para os órgãos públicos é necessário apenas a informação oficial registrando a intenção de fazer o levantamento. Outro tipo de atividade que causa poluição sonora nos oceanos são as pesquisas sísmicas que usam equipamentos acústicos para sua realização, para se realizar uma pesquisa desse tipo é necessário A Licença de Pesquisa Sísmica (LPS) que é concedida pelo órgão ambiental para autorizar a atividade de pesquisa de dados sísmicos marítimos e em zonas de transição terra-mar, estabelecendo condições, restrições e medidas de controle ambiental a serem observadas pelo empreendedor na execução da atividade. Essas medidas asseguram o uso correto e legal dos equipamentos e como consequência acabam diminuindo o uso indevido dos mesmo que trazem enormes problemas a vida marinha como os citados no decorrer do texto. Para buscar uma solução efetiva e a longo prazo são necessários esforços globais e não apenas em locais específicos, é preciso pressionar os governos para agirem de forma mais rápida e efetiva, aumentando as leis e aplicando-as de forma mais rigorosa e constante, junto a isso é necessário o uso de novas tecnologias e técnicas já existentes que causam um menor impacto na fauna e no oceano em geral. Assim diminuíramos os efeitos já existentes e evitaríamos problemas futuros.