• Ana Luiza Edna Castro

Impactos dos Portos no ambiente e sociedade a sua volta

As zonas portuárias apresentam uma grande importância econômica para o país e região onde estão localizadas. Elas permitem o transporte de cargas de grande volume, ajudam a manter a balança comercial favorável e permitem a integração entre diferentes nações e seus bens a partir da exportação e importação. Contudo, os danos causados pelos portos ao meio ambiente e a sociedade a curto, médio e longo prazo são extremamente altos e não são compensáveis.


Impactos causados pela implantação dos portos

As atividades portuárias como o transporte de cargas e as obras de acostagem, que são estruturas construídas no mar destinadas a prender as embarcações para a carga ou descarga de mercadorias, necessitam de bases rígidas e que ocupam longas extensões territoriais. Dessa forma, há o desmatamento da vegetação costeira local e consequentemente toda a fauna e flora dessa região são afetadas. Um exemplo são os manguezais, que são removidos para que a construção dos portos ocorra. Esse ecossistema no entanto, é responsável por exportar matéria orgânica para os estuários (zonas de transição do rio para o mar), garantir a produtividade da zona costeira, ter uma vegetação capaz de fixar terras e evitar a erosão (desgaste) da costa, além de ser a região onde os peixes, moluscos e crustáceos encontram condições ideias para se reproduzirem. Assim, nota-se que a manutenção do mangue é de extrema importância não só para a existência de um ambiente próspero como também para a subsistência da comunidade pesqueira que vive ao redor.

Como exemplo da influência negativa dos portos, tem-se o Porto de Suape ao sul de Pernambuco. Segundo especialistas, o porto construído aproximadamente na década de 1980, e que teve um funcionamento efetivo a partir de 1990, alterou a rota dos tubarões nessa região do estado, o que fez com que os ataques desses animais a seres humanos aumentasse significativamente. Já em São João da Barra, no Rio de Janeiro, a construção do Porto de Açu, segundo um estudo da Universidade Estadual do Norte Fluminense, também causou impactos ao ambiente e a população local. As obras elevaram a salinidade em certos pontos de água doce na lagoa Iquiparí e no canal de Quitingute, o que interferiu na água para consumo próprio e irrigação utilizada por agricultores, pescadores e pela população que vive na região.


Impactos causados pela operação portuária

A contaminação da água é outro fator resultante da operação portuária e ocorre devido a vazamentos de combustíveis e lubrificantes de navios ou até mesmo pelo descarte da água de lastro. A água de lastro, por sua vez, é a água do mar que é captada pelo navio para garantir o funcionamento e estabilidade dele enquanto transporta mercadorias, e após o navio ser descarregado essa água é despejada. Esse processo, além de contaminar a água do mar com o despejo, também acaba capturando pequenos organismos como bactérias, invertebrados e algas, ao retirar a água para o uso do navio. Tais seres então, são transportados para qualquer outra região portuária do mundo e se tornam espécies exóticas nesses locais, podendo gerar o desequilíbrio ecológico, ser vetores de doenças ou até mesmo trazer prejuízos econômicos nas áreas invadidas.

Além da poluição marinha, é possível destacar também a poluição sonora graças ao trânsito de veículos pesados e a poluição atmosférica devido a emissão de partículas sólidas e gases.

Outra consequência da operação dos portos é a diminuição da produtividade e a alteração da salinidade devido ao processo de dragagem. Esse procedimento consiste na retirada de sedimentos do fundo do mar para ampliar os canais de navegação permitindo que embarcações maiores passem. No entanto, ao ser realizado ele pode trazer compostos químicos que estavam no fundo do mar de volta a superfície e dessa maneira intervir na cadeia alimentar tanto de microrganismos e animais marinhos quanto dos seres humanos. Além disso, o processo também gera a turbidez da água, que é a redução da sua transparência, ao trazer os sedimentos a superfície. As partículas suspensas são capazes de reter a luz solar, impedindo que o fitoplâncton realize o processo de fotossíntese. E portanto, a produtividade desse local é reduzida.


É necessário o fim dos portos?

Não há dúvidas de que a operação portuária é um problema para o meio ambiente e para a sociedade no geral. Contudo, pensar no fim total dos portos é irreal. O que de fato seria ideal para tentar minimizar o problema seria utilizar tais instalações com a concepção do desenvolvimento sustentável em mente: permitir o crescimento econômico sem esgotar os recursos para o futuro. Dessa forma, entendesse que não há a necessidade de construir mais portos no Brasil, e sim aprimorar aqueles que já existem para que atuem de forma mais ecológica e menos prejudicial. O rigor para o cumprimento das leis que gerem os portos e ajudam a conservar o meio ambiente também deve ser maior para que dessa forma os indivíduos possam de fato perceber o quanto a preservação da natureza é importante para a nossa sobrevivência.


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