• Bárbara Souza Medici

Despejo de esgoto sem tratamento no ambiente aquático

Os mananciais de água (fontes de água superficiais ou subterrâneas que possam ser usadas para o abastecimento público) são fundamentais para que possamos ter uma boa qualidade de vida. Por servirem como fontes de água doce no Brasil, precisam ser preservados, já que esse bem é escasso e, apesar de renovável, corre o risco de acabar. A falta de investimentos em saneamento básico (conjunto de medidas que preserva e modifica condições do meio ambiente e da saúde humana), colocou o Brasil em uma situação crítica, por conta do despejo de esgoto sem tratamento correto, gerado pelas ações humanas. Muitos desses mananciais se tornam poluídos e acabam gerando impactos ambientais para todo o ecossistema daquela região aquática. O esgoto doméstico é composto por água (99%) e sólidos (1%). Esses rejeitos sólidos são, em sua maioria, constituídos por matéria orgânica em decomposição, originada de fezes e de atividades humanas. Quando despejado nos rios sem tratamento, a composição natural daquele ecossistema é alterada, trazendo danos para a fauna e a flora aquática e os seres humanos que vivem no entorno, além do mau cheiro e da coloração cinzenta ou marrom escura das águas.


A saúde publica é afetada, de forma com que as pessoas que não têm o abastecimento de água potável nas suas casas, acabam por utilizar as águas dos rios que podem estar contaminadas por conta do descarte incorreto de lixo e de esgoto não tratado, podendo conter poluentes e agentes biológicos. Isso faz com que a falta de saneamento, contamine o solo e facilite a propagação de doenças (Quadro 1), incluindo de vírus, parasitas e bactérias. De acordo com dados retirados do Painel Saneamento Brasil, plataforma de dados do Instituto Trata Brasil, mostram que em 2018, cerca de 233 mil casos por doenças foram registrados no país, resultando em 2180 mortes e uma despesa próxima de R$90 milhões com as internações. Com os serviços de saneamentos adequados, poderia ser evitado muitas mortes por contaminação, e ainda melhoraria a saúde e o bem estar da população, investir em saneamento diminuiria as despesas na área da saúde.

Quadro 1: Patógenos potencialmente presentes em esgotos domésticos (adaptado de Hawkes)

Quando pensamos em impactos no meio ambiente, os rios são os mais afetados com a falta de saneamento básico. Quando o esgoto chega nos rios, mares e cursos d`água, ele altera a composição química, afetando diretamente a natureza, que por consequência impacta na saúde da população. Isso acontece por conta do acúmulo de matéria orgânica, comprometendo a qualidade da água.


Os nutrientes presentes no esgoto, podem provocar a eutrofização e induzir à hipóxia ou mesmo à anóxia; A proliferação de algas na superfície do rio, faz com que a luz solar não penetre dentro das águas, afetando a fotossíntese das plantas, que por consequência diminui a quantidade de oxigênio, fazendo com que os animais acabem morrendo e aumentando o nível de micro-organismos, alterando o ecossistema. Os metais pesados, como o mercúrio, cobre, chumbo, entre outros, também são substâncias altamente poluentes e perigosas, que se acumulam nos animais, afetando também a produção e manutenção dos estoques pesqueiros para fim de pesca e aquicultura, uma vez que os peixes estão contaminados e podem fazer mal ao ser humano. Além dos impactos já citados, o esgoto não tratado também afeta a economia, podendo impactar negativamente no progresso de estudantes, na produtividade do trabalho (exemplo: pescadores), além do desemprego e da renda familiar. A expansão no sistema de coleta e no tratamento de esgoto, além dos benefícios diretos para a população, estimularia o setor de construção civil e geraria oportunidades de emprego, proporcionando melhorias na renda.


Um ecossistema bem preservado e bons serviços de saneamento são fundamentais para a sociedade como um todo. De acordo com o Trata Brasil, a porcentagem da população com a cesso a rede de água e coleta de esgoto é de 83,6% e 53,15% respectivamente. Esse despejo causa a poluição dos recursos hídricos, que são disponíveis para o consumo humano e a irrigação de lavouras, o nosso meio ambiente se degradara constantemente todos os dias, reduzindo assim a quantidade de água potável. Cabe ressaltar, que as pessoas mais atingidas pelos problemas são as de classes mais baixas, de regiões de periferia, que sofrem com a falta de serviços básicos. De modo geral, a falta de saneamento básico e de esgoto tratado, impede de ter uma vida digna, influenciando na educação, no trabalho, na higiene, no bem estar geral, e no meio ambiente, sendo assim muito importante desenvolver soluções para enfrentar o problema. Para melhorar essa situação, seria necessário a universalização de saneamento para todos, incluindo a disponibilização de sistemas de coleta e afastamento de esgoto, com estações de tratamento, de acordo com os padrões exigidos pela legislação. Lugares que não tem coleta de esgoto, seria necessário adotar soluções individuais como as fossas sépticas(sistema que implica na coleta e acúmulo do esgoto produzido por uma residência, na formação de um lodo bacteriano equilibrado que consuma a matéria orgânica, na filtragem por percolação, das águas residuais) e sumidouros (poço sem laje de fundo que permite a infiltração do efluente da fossa séptica no solo), tentando evitar que o esgoto seja lançado diretamente nos rios. É importante, também, conhecer o plano de saneamento da sua cidade, procurando saber sobre os investimentos na área, bem como a constante busca por capital proveniente de recursos municipais, federais e/ou privados. Caso haja um sistema de esgoto sanitário a disposição, colabore para a sua funcionalidade, evitando os descartes de lixo na rede de esgoto, como objetos sólidos e gorduras, que podem entupir a tubulação.


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